Projetos

ESCOLA ESTADUAL DOM BOSCO

Projeto de Libras

A INTER-RELAÇÃO DA LIBRAS E AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM COM A LÍNGUA PORTUGUESA

1. Identificação do Projeto

Período de Realização: Abril a Outubro de 2013
Órgão/Escola: Escola Estadual Dom Bosco
Tipo de Projeto: Projeto Didático Pedagógico
Carga Horária total: 30 horas/aula
Público Alvo: 28 alunos ouvintes e 1 aluno surdo do 2º Ano
Disciplinas envolvidas: Língua Portuguesa, Artes, História, Geografia e Libras
Conteúdo Curricular: Gramática e ortografia da Libras; leitura, escrita, interpretação de textos e gêneros textuais na língua de sinais e língua portuguesa.

2. Introdução

Uma das dimensões do processo de aprendizagem implica mutuamente no ensino de uma língua. No caso do surdo, há pesquisas que procuram um meio de garantir o desenvolvimento da linguagem através de métodos de oralização, entretanto as pesquisas avançaram e mostram esse processo de aquisição da linguagem através da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), isto é, a linguagem é tão essencial para o ser humano que, apesar de todos os empecilhos que possam surgir para o estabelecimento de relações através dela, estes buscam formas de satisfazer tal natureza.
Vygotsky (1998), percebe a linguagem não apenas como uma forma de comunicação, mas também como uma função reguladora do pensamento, porém em uma visão crítica Bakhtin (1990), converge com a ideia de Vygotsky, onde a língua constitui a consciência do indivíduo. “Não é a atividade mental que organiza a expressão, mas ao contrário é a expressão que organiza a atividade mental, que modela e determina sua orientação”. (BAKTIN, 1990, p.112)
Pode-se ressaltar então que o indivíduo constitui-se socialmente e influencia o meio social através de sua fala, suas interações, ou seja, não há separação de língua e fala social e individual, portanto:
 
[...] a fala, as condições de comunicação e as estruturas sociais estão também indissoluvelmente ligadas. Tanto o conteúdo a exprimir como suas objetivações externas são criadas a partir de um único e mesmo material – a expressão semiótica. (BAKTIN apud FREITAS; 1994, p. 138).
Nesse sentido, é preciso aceitar as diferenças existentes entre os surdos com relação à modalidade de comunicação utilizada, seja oral ou língua de sinais, por isso tal projeto vem salientar os possíveis caminhos e estratégias pedagógicas a percorrer no sentido de tentar alcançar os melhores resultados com o ensino da libras, sua língua materna e a língua portuguesa, como segunda língua, evocando reflexões ainda um pouco obscuras e polêmica aos olhos da nossa sociedade, pois é possível perceber o quanto essa sociedade e a escola, de um modo geral, são carentes de uma forma de comunicação que de fato aproxime os indivíduos.

Segundo Skliar (2000, p.41), mesmo para as pessoas surdas, filhas de pais ouvintes, ainda que a língua de sinais não seja a sua língua de origem, geralmente é a língua com a qual elas se identificam. É a língua em que elas têm maior competência e é, também, a língua que mais usam. Dessa forma, Skliar (2004) defende que as crianças surdas devem crescer bilíngues, que a primeira língua delas deve ser a língua de sinais e que a segunda deve ser a língua majoritária, na modalidade escrita. 
A língua de sinais é uma língua natural, com gramática própria e, por ser visual/espacial, é adquirida sem dificuldades pelas pessoas surdas. A aquisição da língua de sinais permitirá à criança surda, além do desenvolvimento linguístico, o desenvolvimento dos aspectos cognitivo e sócio-afetivo-emocional. Permitirá também o desenvolvimento de identificação com o mundo surdo, um dos dois mundos aos quais ela pertence. E mais, a língua de sinais servirá como base para a aquisição da língua majoritária, preferencialmente na modalidade escrita. Finalmente, o fato de ser capaz de utilizar a língua de sinais será uma garantia de que a criança surda possa usar pelo menos uma língua.

Em relação à língua majoritária, Svartholm (2008, p.126), ressalta que as habilidades de fala não podem ser alcançadas em detrimento da língua de sinais, da língua escrita ou da educação escolar das crianças surdas.

A pessoa com deficiência auditiva está conquistando espaço de modo lento, mas gradativo, as barreiras da comunicação que favoreciam os surdos a viverem no isolamento obrigando-os a viver à margem da sociedade estão sendo quebradas. Hoje a sociedade ouvinte está cada vez mais buscando subsídios para a aproximação e socialização da pessoa com deficiência auditiva e a Libras é a ponte mediadora.

Considerar a língua de sinais como a primeira língua do Surdo significa que os conteúdos escolares devem ser trabalhados por meio dela e que a Língua Portuguesa, na modalidade escrita, será ensinada com base nas habilidades interativas e cognitivas já adquiridas pelas crianças surdas nas suas experiências com a língua de sinais. (QUADROS, 1997).

Podemos perceber também, o interesse e o prazer que a maioria dos ouvintes demonstram em aprender a Libras que é o instrumento fundamental para o desenvolvimento e inserção da pessoa com deficiência auditiva na sociedade. O trabalho desenvolvido neste projeto objetiva aguçar a curiosidade e o gosto em aprender uma língua desconhecida e aperfeiçoar o conhecimento do aluno surdo na língua portuguesa a fim de enriquecer seu vocabulário.

Assim, se faz necessário conhecer a cultura e a história da comunidade surda para entender que a surdez é uma experiência visual, que traz ao sujeito surdo a possibilidade de constituir sua subjetividade por meio de experiências cognitivo-lingüísticas diversa, mediada por formas de comunicação simbólica e alternativa, as quais encontram na língua de sinais, seu principal meio de concretização. A este propósito, Quadros (2005) lembra que a educação de surdos, em uma proposta bilíngue, deve ter um currículo organizado em uma perspectiva visual-espacial para garantir o acesso a todos os conteúdos escolares na Língua Brasileira de Sinais. Porém, não basta simplesmente traduzir o currículo da escola regular para a língua de sinais, há que se contemplar nele os aspectos culturais das comunidades surdas, sua história e direitos para que o aluno surdo possa se identificar com a cultura de sua comunidade e não somente com a cultura dos ouvintes. (SKLIAR, 1999).

Independente da sociedade que vivemos, seja ela bilíngue ou não, é preciso pensar como e porque ensinar a língua portuguesa, sua segunda língua, ao individuo surdo. Portanto, conforme destaca Quadros (2006), “pensar em ensinar uma segunda língua pressupõe a existência de uma primeira língua e o professor que assumir essa tarefa estará imbuído de necessidade de aprender a língua brasileira de sinais”.

Afinal, ser bilíngue não é só conhecer palavras, estruturas de frases, enfim, a gramática das duas línguas, mas também conhecer, profundamente, as significações sociais e culturais das comunidades linguísticas de que se faz parte.

Em outras palavras, Quadros (2005, p.30), defende que as duas línguas não competem, não se ameaçam, possuem o mesmo status. A língua de sinais, como primeira língua do surdo, é sua língua de identificação, de instrução e de comunicação e a língua portuguesa, na modalidade escrita, como segunda língua, é a possibilidade do surdo ter acesso à informação, conhecimento e cultura tanto da comunidade surda como da majoritária ouvinte.

Mediante isso, pensou-se nesse projeto didático como uma maneira de integrar o aluno surdo na sala de aula e na comunidade escolar, pois para ele conhecer a libras e seus sinais são muito fáceis, porém a sua dificuldade de comunicação com as pessoas que fazem parte do seu cotidiano é visível em todo ambiente escolar. Visando modificar essa prática pedagógica, esse projeto abordará os seguintes objetivos:
  • Desenvolver conceitos de competências, habilidades e interdisciplinaridade conscientizando a escola e seus profissionais à construção de uma ponte de ensino-aprendizagem para estimular os educandos a aprender uma nova linguagem.
  • Compreender a importância da língua de sinais para inserção do surdo na escola e na sociedade;
  • Ampliar os conhecimentos referentes à língua de sinais e a língua portuguesa;
  • Desenvolver o espírito de cidadania e respeito da pessoa com deficiência auditiva;
  • Oportunizar o fortalecimento da auto-estima e da construção da identidade e autonomia da pessoa com deficiência auditiva;
  • Desenvolver novos métodos de ensino que facilitam a aprendizagem significativa da pessoa com deficiência auditiva.
Uma das implicações óbvias ressaltadas nesse projeto são as formas de comunicação, ou seja, a utilização dos sinais usados para ensinar os educandos surdos e ouvintes, permitindo uma interlocução entre alunos e professor, necessários para a obtenção de uma aprendizagem significativa, aonde a língua de sinais, vem tomando espaço na sala de aula e tendo, atualmente, seu papel um pouco mais definido no contexto escolar, pois os educandos já possuem a compreensão dessa linguagem, demonstrando um enorme empenho, juntamente com o professor, em fazer uso dessa língua.
Nesse projeto quero reiterar que a grande contribuição para essa situação acontece a partir da presença do professor-intérprete na sala, propiciando o contexto linguístico para tal, por isso ressalto a importância da inter-relação da língua de sinais com a língua portuguesa, que permite em seu aprendizado a mobilização de competências e habilidades que a pessoa com deficiência auditiva encontra como recurso para sua comunicação com a sociedade em geral. Sendo assim, enfatizo a problematização da comunicação entre as pessoas que trabalham na escola e convivem com o indivíduo surdo.
Considerando então a escola enquanto espaço de transformação e como uma instituição que busca não somente a promoção como nível de escolaridade e a repetição de conteúdos não significativos, caberá ao professor abordar estratégias pertinentes à qualidade de ensino realizada através do aluno.
Essa aprendizagem deve ser um processo articulado onde às experiências vividas pelo aprendiz servirão como referência determinante e significativa em seu processo de construção pessoal. Devido essa necessidade, tal projeto será desenvolvido no decorrer do ano letivo recorrente e nas disciplinas de língua portuguesa, educação religiosa, história, geografia e libras com o intuito de integrar a pessoa com deficiência auditiva ao mundo ouvinte, pois na realidade a sociedade a qual este está inserido é totalmente ouvinte e sua dificuldade em avançar nos estudos, nos remete à busca de novas técnicas e métodos que possam auxiliar na construção dessa identidade, como por exemplo, confeccionar pequenos livros contendo histórias criadas e ilustradas pelos alunos. Trabalharemos a confecção de cartazes que mostram através de Charges, a integração dos alunos surdos no ambiente escolar. Também serão produzidos textos e ilustrações no computador. Em seguida realizar-se-á a impressão desses textos ilustrados para exposição em varal pedagógico na escola. Também será montado um diário de notícias da turma, esboçando os diferentes tipos de textos trabalhados em sala de aula, de modo que este possa circular entre os alunos, suas famílias e ambiente escolar.
E visando os objetivos propostos, o trabalho será adaptado com atividades lúdicas e temáticas como:
  • Saco de surpresas: (um saco com diversos objetos que possam levar o aluno à abstração, análise e síntese, descrição, classificação e conceituação);
  • Mesas diversas: (diversos materiais para atividades artísticas, gráficas, lúdicas e em língua de sinais);
  • Vivências: (toda situação de experiência proporcionada pelos alunos, como por exemplo, experimentos em sala, passeios, visitas, jogos e livros de literatura infanto-juvenil em libras e língua portuguesa)
  • Leitura e vocabulário: (diversos jogos pedagógicos como: jogo da memória, baralho de palavras e configurações de mão, jogo do mico, forca, bingo de palavras, quebra-cabeça, palavras cruzadas, adivinhações, jogo de Stop, mímicas e sinais relacionados a libras);
  • Produção escrita (filmes da literatura infanto-juvenil, gravuras e recortes, gibis da turma da Mônica, tirinhas de histórias em quadrinhos, histórias em sequências e a partir de roteiros).
  • Atividades lúdicas; (teatro de monólogo, caça ao tesouro e futebol caçador).
Para a realização dessas atividades serão utilizados os seguintes recursos didáticos:
  • Pesquisas na internet;
  • Reportagens em blogs relacionados a libras;
  • Textos complementares sobre a importância da libras;
  • Teatros sobre literatura infanto-juvenil em libras;
  • Teatro com diálogos em libras;
  • Exposição de trabalhos e atividades realizadas em sala de aula;
  • Cartazes relacionados a literatura infanto-juvenil e a convivência do surdo no ambiente escolar;
  • Apostilas de libras básico;
  • Produção de texto e diálogo em libras;
  • DVD dos clássicos infanto-juvenil em libras;
  • Vídeos e gibis da turma da Mônica em libras;
  • Tirinhas de histórias em quadrinhos;
  • Aulas diferenciadas com um instrutor de libras;
A fim de alcançar os objetivos propostos, o projeto será desenvolvido da seguinte maneira:
  • Pesquisar a origem da libras e a importância dessa linguagem na comunidade surda, utilizando o site do Portal de Libras (www.libras.org.br);
  • Criar um ambiente alegre e propício às aulas de Libras, onde os alunos tenham prazer em aprender uma língua diferente e saibam da sua utilização e valoração;
  • Representar (com diálogo, teatro...) um fato e/ou dificuldade que ocorre na escola e na sociedade com as pessoas com deficiência auditiva;
  • Demonstrar na prática a facilitação que a Língua de Sinais trouxe ao deficiente auditivo, no que se refere à inserção à escola e à sociedade;
  • Produzir em libras a construção de frases por meio do diálogo e/ou teatro;
  • Produzir e escrever em língua portuguesa as frases e textos utilizados no diálogo em libras;
  • Produzir textos em libras e língua portuguesa utilizando figuras, tirinhas e histórias em quadrinhos;
  • Assistir os vídeos da turma da Mônica;
  • Com a atividade “saco de surpresas”, cada aluno, pegará um objeto e irá descrevê-lo, em libras, todas as suas características, explorando as diferentes possibilidades desse objeto e depois irá registrar em desenho e em escrita o objeto trabalhado.
  • Na atividade “mesa diversificada”, os materiais artísticos, gráficos, lúdicos e em língua de sinais estarão dispostos em mesas diferentes onde o aluno tem a autonomia de escolher a 1ª atividade a ser realizada e sempre que terminar uma tarefa deve trocar de mesa até que este tenha passado por todas as mesas e realizado as tarefas determinadas. No desenrolar dessa tarefa, cada aluno realizará um registro geral da atividade.
  • Já na atividade “vivências” a contextualização é oral, sendo que os alunos surdos realizam a atividade na língua de sinais e depois todos fazem o registro escrito na língua portuguesa.
  • Com a atividade “leitura e vocabulário”, os alunos trabalharão em grupos e em forma de revezamento, pois essa atividade tem o intuito de auxiliar na aquisição e fixação do vocabulário e desenvolvimento da leitura, por isso os jogos pedagógicos são tão importantes para o conhecimento da língua portuguesa.
  • Na atividade “produção escrita”, os alunos assistirão aos filmes da literatura infanto-juvenil com toda turma, pois os filmes são legendados e interpretados em libras. Em seguida montaremos duplas para discutir e debater a moral da história de cada filme, depois essa mesma dupla reproduzirá novas histórias em forma de charges que serão expostas no mural da escola.
Em um segundo momento, os alunos assistirão as histórias em quadrinhos da turma da Mônica. Histórias essas em libras e em língua portuguesa, as quais também estarão disponíveis em forma de gibis e em seguida, cada aluno fará a montagem de sua história em quadrinho no próprio computador, os quais serão salvos e impressos para exposição no varal pedagógico da escola. E em outro momento, os alunos receberão tirinhas de histórias em quadrinhos, impressas e em sala de aula montarão a sequência dessa história, adaptando-a com sua realidade escolar e social, ou seja, as tirinhas terão conteúdos relacionados com vivência escolar e social das pessoas surdas, onde estes terão que encontrar soluções para adaptá-los a sociedade e ao mundo que vivemos, procurando dessa forma, enriquecer a história com sua criatividade e vocabulário.
  • Nas “atividades lúdicas”, os alunos estudarão os sinais básicos de libras, os quais estão impressos em uma apostila básica, e em seguida, juntamente com os demais colegas de sala, montarão diálogos e teatro acerca da interação e sociabilidade com a turma e professores de acordo com situações vivenciadas na escola e na sociedade. Logo após, serão realizados cartazes para registrar essas situações, mostrando assim a realidade de cada fato e as soluções para melhorar o entrosamento e convívio com os alunos surdos no ambiente escolar.
  • Para finalizar o projeto, a turma terá uma aula com um instrutor surdo, onde este irá explicar a importância da aprendizagem da segunda língua, ou seja, a língua portuguesa e também o uso dos sinais em libras que podem facilitar a aprendizagem do aluno surdo. Neste dia, a aula será voltada ao esclarecimento de dúvidas e aprendizagem de novos sinais, bem como a interação desse instrutor com toda a turma a fim de mostrar a grande importância da convivência deste com a comunidade surda e ouvinte, para que os mesmos possam aprender novas formas linguísticas e adaptar-se a sua cultura.

3. Mídias envolvidas no Projeto Didático

  • DVD Vídeos: Educação de surdos; (para assistir os clássicos da literatura infanto-juvenil);
  • Portal de Libras (para ver vídeos e pesquisar sobre a importância da Libras e a convivência com a comunidade surda);
  • Filmadora (filmar a apresentação do teatro e rever os monólogos);
  • Material impresso (apostilas de libras, gibis e tirinhas das histórias em quadrinhos).

4. Concepção de ensino/aprendizagem

A concepção de ensino utilizada nesse projeto é a concepção cognitivista de Ausubel (1978). Segundo Ausubel (apud FARIA, 1989, p.8), a estrutura cognitiva é o conteúdo total e organizado de ideias de um dado indivíduo; ou, no contexto do projeto didático, refere-se ao conteúdo e organização de suas ideias naquela área particular de conhecimento. Ou seja, a ênfase que se dá é na aquisição, armazenamento e organização das ideias no cérebro do indivíduo, com base da interação dele com o mundo objetivo, internalizando a aprendizagem da seguinte maneira:
  1. Aprendizagem significativa: tem lugar quando as novas ideias vão se relacionando de forma não-arbitrária e substantiva com as ideias já existentes. Além de não-arbitrária, para ser significativa, a aprendizagem precisa ser também substantiva, ou seja, uma vez aprendido determinado conteúdo desta forma, o indivíduo conseguirá explicá-lo com as suas próprias palavras. Assim, um mesmo conceito pode ser expresso em linguagem sinônima e transmitir o mesmo significado (ARAGÃO, 1976, p.21).
  2. Aprendizagem por descoberta e por recepção:
descoberta: o aluno deve aprender “sozinho”, deve descobrir algum princípio, relação, lei,... , como pode acontecer na solução de um problema.

• recepção: recebe-se a informação pronta (como em uma aula expositiva) e o trabalho do aluno consiste em atuar ativamente sobre esse material, a fim de relacioná-lo a ideias relevantes disponíveis em sua estrutura cognitiva.

3. Aprendizagem combinatória: Este tipo de aprendizagem acontece quando a nova ideia não está hierarquicamente acima nem abaixo da ideia já existente na estrutura cognitiva à qual ela se relacionou de forma não-arbitrária e lógica. Ou seja, esta nova ideia não é exemplo nem generalização daquilo que se usou como âncora para ela na estrutura cognitiva do indivíduo. Esta âncora, no entanto, é necessária para que se possa estabelecer uma aprendizagem de fato significativa. Além do trabalho didático, que tem uma contribuição direta para o aprendizado do aluno, o professor também deve ajudar os alunos a aprenderem o conteúdo que se propõe relacionando ideias já vivenciadas.

5. Avaliação

A avaliação será realizada durante o processo e depois também, todo o processo será registrado em vídeo e fotos e apresentado aos alunos durante a aula prática com o instrutor surdo para que instrutor e alunos encontrem os pontos positivos e negativos de aprendizado através da libras e da língua portuguesa. No final do projeto haverá uma apresentação em libras realizada pelos alunos surdos para expor seu pensamento sobre sua integração e vivência na escola depois do projeto executado.


6. Cronograma
DATA
AULA
AÇÃO
OBJETIVO
RECURSO
01 e 05/04
4º e 5º tempo
Aula expositiva sobre o histórico da libras.
Conhecer a história da libras e como começou a ser utilizada pela comunidade surda.
Datashow
15 e 19/04
4º e 5º tempo
Pesquisa na Internet sobre blogs que falam e mostram a libras e seu uso.
Conhecer diferentes regiões onde existem comunidades surdas.
Internet e micro computadores da STE
06 e 10/05
4º e 5º tempo
Aula prática com o instrutor surdo para ensinar alguns sinais básicos da libras.
Conhecer o alfabeto manual e os sinais básicos da língua de sinais.
Instrutor surdo e apostila impressa
20/05 e 24/05
4º e 5º tempo
Criação de um teatro (monólogo) em libras.
Utilizar os sinais aprendidos na aula anterior para realizar o monólogo.
Filmadora
03 e 07/06
4º e 5º tempo
Assistir o DVD dos clássicos da literatura infanto-juvenil.
Memorizar os sinais desconhecidos, registrando-os no caderno.
DVD e filmadora
17/06 e 05/07
4º e 5º tempo
Montagem de cartazes com os clássicos literários.
Reproduzir novas histórias em forma de Charges.
Filmadora, cartolinas, lápis e canetas coloridas.
05/08 e 09/08
4º e 5º tempo
Assistir os vídeos da Turma da Mônica em libras e língua portuguesa;
Criar novas histórias usando o computador.
Filmadora, micro computadores da STE
19 e 23/08
4º e 5º tempo
Montagem de histórias em quadrinhos utilizando tirinhas impressas
Adaptar e encontrar soluções para enriquecer o vocabulário e a integração do surdo na escola
Cartolinas, papel branco, lápis, canetas coloridas e recortes de revistas.
02 e 13/09
4º e 5º tempo
Montagem de grupos para aprendizagem de novos sinais da libras
Enriquecer o vocabulário
Professor intéprete de libras e filmadora
23 e 27/09
4º e 5º tempo
Aula prática com o instrutor surdo para avaliação
Avaliar o aprendizado de cada aluno surdo
Instrutor surdo e filmadora
07/10
4º e 5º tempo
Apresentação do teatro ensaiado nas aulas anteriores
Integrar o surdo a comunidade escolar
Alunos e filmadora

7. Referências bibliográficas

ARAGÃO, R. M. R., Teoria da Aprendizagem Significativa de David P. Ausubel. Tese de Doutoramento, Campinas, 1976.

BAKHTIN, M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1990.

FARIA, W. de. Aprendizagem e planejamento de ensino. São Paulo, Ática, 1989.

FREITAS, M. T. A. O pensamento de Vygotsky e Bakhtin no Brasil. Campinas: Papirus,
1994.

QUADROS, Ronice Müller de. Ideias para ensinar português para alunos surdos. Brasília: MEC, SEESP, 2006.


QUADROS, R.M. Educação de Surdos - a aquisição da linguagem. Porto Alegre, RS: Artes Médicas, 1997.

QUADROS, R. M. O ‘Bi’ em bilinguismo na educação de surdos. In E. Fernandes (org.) Surdez e bilinguismo. Porto Alegre, RS: Editora Mediação, 2005, 26-36.

SACKS, Oliver. W. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. Oliver Sacks: tradução Laura Teixeira Motta. São Paulo: Compania das Letras, 1998.

SKLIAR Carlos. Uma perpectiva sócio-histórica sobre a psicologia e a educação dos surdos. In C. Skliar (org.) Educação e Exclusão. Porto Alegre: Ed. Mediação, 1997/2004.

SKLIAR, Carlos. A localização política da educação bilingue para surdos.In: Skliar, C. (org.) Atualidades da educação bilingue para surdos: processos e projetos pedagógicos. Porto Alegre: Ed. Mediação, p. 7-14, 1999.

SKLIAR, Carlos; QUADROS, Ronice Muller de. Invertendo epistemologicamente o problema da inclusão: os ouvintes no mundo dos surdos. Estilos da Clínica, São Paulo, v. V, n. 9, p. 32-51, 2000.

SVARTHOLM, K. Educação Bilingue para os Surdos na Suécia: Teoria e Prática. In: M.C.. Moura; S. A. A. Vergamine & S.R.L. Campos (orgs.) Educação para Surdos: práticas e perspectivas. São Paulo: Santos Editora, p. 119-143, 2008.

VYGOTSKY, L. S., Luria, A. R., Leontiev, A. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1988.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1989.


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